Perfeitas Imperfeições

 

Susan Mendes aborda o corpo feminino em exposição na Galeria Municipal de Caxias do Sul

Em "imPERFEITO" artista caxiense retrata mulheres em pinturas sobre papelão

 

Não foi por acaso que Susan Cantergiani Ribeiro Mendes escolheu o papelão como suporte para as cerca de 30 obras que compõem a exposição imPERFEITO. Em cartaz a partir desta quinta-feira, na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, em Caxias do Sul, a mostra propõe uma reflexão sobre o corpo feminino que vai além dos estereótipos de beleza. Em peças de grandes dimensões, recolhidas em entulhos e que outrora já armazenaram eletrodomésticos e outras mercadorias, a artista caxiense retrata mulheres com características reais, com imperfeições que vão contra os padrões estabelecidos pela sociedade através da publicidade, da televisão e das redes sociais, por exemplo.

— A mulher normalmente é cobrada a se encaixar em padrões de beleza e comportamento e, quando não se encaixa, é descartada, inclusive quanto atinge uma certa idade — afirma Susan.

 

Em peças de grandes dimensões, Susan Mendes retrata mulheres com características reais e suas imperfeiçõesFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

 

Em suas obras, que misturam, entre outras, técnicas como pintura acrílica, colagens e incisões, Susan explicita a fragilidade do corpo feminino. Na contramão do que prega a sociedade de consumo atual, a artista celebra deformações, estrias e marcas corporais, entre outros "defeitos" que não se enquadram no que é socialmente aceito. Os detalhes desgastados reforçam a proposta questionadora:

 

Em suas obras, a artista utiliza diversas técnicas, como pintura acrílica sobre papelão e colagens, por exemploFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

— O que é perfeito? Quanto mais a mulher aceitar as suas imperfeições, mais perfeita ela acaba sendo, porque se sente mais segura.

Aos 62 anos, 40 deles morando em Porto Alegre, Susan diz conviver bem com a ação do tempo sobre o próprio organismo. E faz questão de que as mulheres que pinta estejam nuas. E reais, salienta.

— A nudez é sinônimo de liberdade. Quando a mulher consegue se libertar, das roupas ou de padrões estéticos, ela se sente muito mais livre — afirma.

 

Desgastes no papelão e incisões explicitam "defeitos" que não se enquadram no que é socialmente aceito. 

 

Diego Adami

diego.adami@pioneiro.com

Susan Mendes  |  +55 51 98156 9758  |  susanrmendes@gmail.com  

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